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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Skatistas do Push Race promovem a primeira edição do campeonato local



Homens, mulheres e crianças largam juntos e quem deslizar mais rápido vence

Marcela Mattos - Correio Braziliense

Publicação:

07/02/2012 08:12
Edilson Rodrigues/CB
Cerca de 50 skatistas são esperados para a prova de hoje: velocidade

Carros são proibidos no percurso esportivo do Parque da Cidade. Mas há uma exceção para que meios de condução com quatro rodas circulem pelo local. Um dos roteiros favoritos dos skatistas, principalmente os longboarders, o espaço é elogiado por ser bastante amplo e possibilitar que os atletas atinjam altas velocidades — nas descidas, as pranchas podem chegar a 40km/h. 

Hoje, mais de 50 skatistas são esperados na primeira edição do Push Race, campeonato exclusivamente de remada (como é chamado o movimento de empurrar o skate com a perna) e organizado pela Associação LongBrothers. Nessa categoria, manobras e derrapagens perdem lugar para as pernadas: os mais velozes e com maior resistência física já saem com vantagem. A previsão é que os quatro quilômetros de extensão sejam percorridos — ao menos pelos mais experientes — em 15 minutos.

A prova não é dividida em categorias. Homens, mulheres e jovens de todas as idades largam ao mesmo tempo. Segundo a organização do evento, a ideia é juntar os esportistas e criar um clima de amizade, principalmente porque a modalidade permite que vários tipos de atletas possam competir em um mesmo nível. O que faz diferença — e que, infelizmente, independe da capacidade técnica de cada um — é a altura. Quanto mais longa for a perna, maior a distância atingida pela passada e mais rápido o skatista desliza com o equipamento.

Por isso, apesar de ser um dos mais novos, com 16 anos, o estudante Paulo Lins é uma ameaça aos outros competidores. Com 1,93m, ele consegue se destacar por conta do tamanho. “Pode me ajudar bastante. Eu consigo ir mais rápido dando menos passadas. Eu canso menos”, conta. O oponente e amigo André Bredren, com apenas 1,70m, não se intimida. “Não é só altura. Depende do equilíbrio e do skate”, pondera. “Mas não tem jeito, tenho que fazer mais força e me desgastar mesmo”, admite.


Programe-se
O Push Race tem largada na pista em frente à administração do Parque da Cidade. As inscrições podem ser feitas até as 20h e custam R$ 10 para associados e R$ 20 para não associados. Na largada e na chegada haverá um DJ e uma rampa para animar os atletas. 
19h: aquecimento dos skatistas
21h: largada 


Se chover, não tem prova
Com tudo programado, só há uma possibilidade de o campeonato não acontecer hoje: se chover. As rodas do skate longboard derrapam muito na água e, apesar de ser obrigatório o uso de capacete para todos os competidores, a organização prefere fugir do risco de os vários atletas se machucarem. 

Entre os skatistas, entretanto, cair não é problema. Com um apelido que explica sua relação próxima com os tombos, Carlos Eduardo Sousa, o Ranca Lasca, já quebrou a bacia, a costela, a clavícula e a perna durante os treinos. Entre fisioterapias e recuperações, ele adianta que nunca abandonará o esporte. “Sair de casa para andar de skate sem cair é como nadar e não se molhar: é impossível”, diz, exibindo as cicatrizes. 

A maioria dos machucados de Ranca Lasca, no entanto, vem de quando ele competia na categoria street, em que as manobras são realizadas do alto de rampas e em corrimãos. Campeão brasiliense de skate em 1989, ele conta que hoje em dia apenas brinca com a prancha. Mas quando o assunto é competir, a herança da vida de atleta sempre fala mais alto. Por isso, ele avisa que não entrará na pista para perder: “Não tenho grandes pretensões, mas sou altamente competitivo. Vou dar o sangue para ganhar”. 


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