DAQUI, o Jornal do Distrito Federal

quarta-feira, 18 de julho de 2012

A questão da urbanização em nossa cidade



Todas as cidades possuem uma história na qual revelam o que são hoje. As cidades têm histórias que completam desde a sua colonização à sua urbanização e, através desta análise é possível encontrar as desigualdades e segregação existentes em cada uma delas.
O processo de urbanização no Brasil inicia-se na década de 50 com a vinda da população do campo para as cidades em busca de oportunidade ou mesmo o recomeço de uma nova vida. As populações destas cidades foram crescendo e consequente dando origem a novos bairros ou novas cidades. Um grande fluxo migratório do campo foi marcado com a mudança da capital do Brasil, até então o Rio de Janeiro, para uma nova cidade, Brasília, provocando uma alteração do fluxo migratório para a região central do país.
Dado consolidado a nova capital e renovado o conceito de urbanização modelo para todas as cidades, o Distrito Federal não consegue demonstrar a nova forma de planejamento e vai perdendo aos poucos o controle urbano. Brasília se constituiu dessa forma e continua até os dias de hoje com o esse processo de migração e de transformação. Com o projeto de criação das cidades satélites, imaginava-se um processo de criação e urbanização modelo para as novas cidades que viriam a surgir ou que seriam recriadas. Este planejamento urbano se difere de outras cidades, pois aqui foi implantada, uma resolução política, desde a época da demarcação de seu território para construção de uma nova cidade.
O que realmente aconteceu foi o contrário no sonho de JK e nos moldes pensados por Lúcio Costa. As cidades satélites pensada por eles, que viriam tempos depois, aos poucos foram aparecendo de forma esporádica e quase sem controle pelo Estado. A cidade de Brasília não foi feita para todos os brasileiros, principalmente para os que ajudaram a construir a capital. Começa aí a periferização de Brasília e a forma de remediar foi recriar as cidades de Ceilândia, Gama e Taguatinga como meios de combater o crescimento desordenado.
Enquanto a maioria destas cidades surgiam através de planos governamentais, São Sebastião surge com um movimento diferenciado.  A cidade de São Sebastião nasce, inicialmente, para atender as demandas de material primário para a construção de Brasília, onde muitos trabalhadores se dedicavam na exploração de areia e produção de tijolos através das grandes olarias que aqui existiam.
Em segundo plano ficava a opção de moradia, esta que aos poucos foram aumentando, elevando o local de exploração de recursos naturais para uma pequena vila. Assim a consolidação do espaço urbano foi expandindo de forma corriqueira e tradicional sem nenhum planejamento urbano ou critério nas demarcações dos lotes.  Longe de qualquer controle por parte dos órgãos competentes, a cidade foi crescendo sem gabaritos de áreas para equipamentos públicos comunitários e sem áreas de verde e para prática de esporte e lazer. Além disso, os espaços demarcados para pedestres, carros, ciclistas foram eliminados.

Essa regra não se aplica aos novos bairros como o Residencial Oeste e o bairro São Bartolomeu. Estes bairros surgiram com o remanejamento de famílias da área de risco da época em que se tornou Região Administrativa. Logo se percebe na cidade que nestas quadras é ampla as áreas com destinação para equipamentos públicos, suas ruas são mais largas e padronizadas e os lotes residenciais são de mesmo tamanho.

Voltando a parte antiga da cidade, a falta de planejamento no começo da nova cidade não foi problema pensado a época e hoje já sentimos a falta desse planejamento ou a intervenção do governo para solucionar um problema que era previsível quando se recria uma nova Região Administrativa.

Ruas apertadas, falta de estacionamento, poluição visual e sonora tem deixado muitos moradores irritados. Além das ruelas, por assim dizer, tem um agravante, ondes os carros são a preferência os pedestres que não tem opção para se locomover. Não vou falar dos portadores de necessidades especiais, principalmente os cadeirantes e portadores de deficiência visual, que praticamente ficam impossibilitados de se locomover. Não gosto da palavra deficiente, na verdade aqui, o deficiente é o Estado mesmo.

Em algumas ruas já foram implantadas medidas emergenciais para os carros, como tornar o sentido único a Rua 48, do bairro Centro, para fluir mais o trânsito. Tornou a via sentindo único, dando espaço para mais carros e os pedestres, novamente, foram esquecidos.  As pessoas dividem os espaços com os carros, colocando em risco suas próprias vidas. A nivelação e adequação das calçadas para os pedestres não foi feito e o resultado é a disputa do asfalto com carros, ônibus, carroças e bicicletas.

Fica difícil reverter este quadro, pois casas e comércios já estão consolidados e em ruas que mal trafegam um carro por vez fica difícil fazer uma espécie de alargamento. Mas ainda há ruas e avenidas que podem ser modificadas a tempo. Criação de calçadas niveladas e com acesso a pedestres, tornar algumas ruas sentido único e instalação de semáforo em algumas ruas e cruzamento reduziria alguns problemas ou até mesmo a extinção de algumas ruas, tornando a rua uma imensa calçada.

Cabe a Administração Regional de São Sebastião junto com os órgãos competentes mapear os locais e refazer um estudo destas áreas que precisam de atenção o quanto antes. Assim evitaremos problemas mais graves que possam vir por falta deste planejamento.

Getúlio Francisco
Geógrafo

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