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domingo, 5 de agosto de 2012

Tadeu Filippelli mostra que o papel do vice vai muito além de apenas substituir o titular



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Filippelli mostra que o papel do vice vai muito além de apenas substituir o titular
Um ano e sete meses de governo. Tempo em que o vice-governador Tadeu Filippelli passou debruçado em projetos, reuniões, além de visitas para verificar as necessidades e o andamento das obras no Distrito Federal.
Um trabalho que não foi em vão. Basta uma volta pelo DF para ver que de ponta a ponta todas as regiões administrativas estão ganhando cara nova, recebendo investimentos e tendo a certeza de que se trata de um novo caminho. Num descontraído bate-papo, Tadeu Filippelli recebeu a equipe deste blog para um café da manhã.
O vice-governador falou das dificuldades do início do governo (cheio de problemas, incluindo o mato alto e a dificuldade de obter crédito), também explicou as mudanças  no transporte público, as obras essenciais de cada região e a movimentação política na Capital.
Nesse contexto, Filippelli não escondeu nada. Deixou claro a boa relação com o governador Agnelo Queiroz, a aliança com o Governo Federal e comentou a relação Executivo/Legislativo.

ceiladiaemaleta.com.br: Para o senhor as dificuldades do Governo já foram superadas, ou ainda falta algo?  
Filippelli: De forma alguma, apenas chegamos ao ponto de início do Governo que gostaríamos de ter tido em primeiro de janeiro de 2011. Nós só resgatamos e vencemos parte das dificuldades. Atravessamos uma crise em 2009 e 2010. Isso é inquestionável.
Mas olhando para o Governo do Arruda, vejo que ele teve os mesmos números que tivemos no começo de mandato. Então, não me abalo com isso. Prefiro ter consciência naquilo que estamos fazendo, saber que estamos fazendo o certo, não expondo nossos gestores públicos.
Temos que ter atenção com a nossa equipe, pois são pessoas valiosas e temos que zelar por isso. Devemos trabalhar com muito cuidado.
Temos a alegria de em um ano e sete meses depois poder dizer publicamente que nesse tempo, agora com todos esses trabalhos, obras, realizações do governo aparecendo, nós podemos comemorar que em momento nenhum nós transgredimos uma recomendação do Tribunal de Justiça, do Tribunal de Contas, do Ministério Público e Meio Ambiente.
ceilandiaemalerta.com.br: O senhor falou da relação com o Tribunal de Contas e Ministério Público. O senhor acredita que esse tipo de relação com o atual Governo está contribuindo para agilizar alguns processos que houveram no passado? Por exemplo, antes havia muitos Termos de Ajustamento de Conduta, descumprimento de decisões do próprio Tribunal de Contas?
Filippelli: Eu prefiro dizer o seguinte: talvez essa não seja a forma mais rápida de trabalhar, fazendo todas essas exigências, atendendo uma a uma, até a certeza e convicção de todo o processo formado. Tenho a alegria de dizer que na área de infraestrutura, apenas uma dispensa de licitação foi usada até hoje. Os contratos emergenciais foram feitos apenas aqueles cobertos pela lei, um número quase insignificante.
Agora, sabemos da dificuldade que atravessamos ao montar esses processos e criar algo dessa forma. Poderíamos em determinadas horas, talvez com certa dificuldade entre instituições, como por exemplo, o Tribunal de Contas e Governo do DF recorrer ao Tribunal de Justiça cassando algumas decisões do Tribunal de Contas. Com isso teríamos cobertura tranquila. Mas nunca fizemos isso.
Na própria licitação de transporte público, o que é crucial cada dia que passa, nós ganhamos 14 representações, se eu não me engano, que entraram contra a licitação. Ganhamos todas, inclusive algumas com mérito julgado. Preferimos lapidar a questão com tranquilidade e construir não apostando nas dificuldades institucionais.
ceiladiaemaleta.com.b: O Senhor tem essas 14 representações de empresas que entraram na justiça, e nós temos aí o processo da Fácil, que se arrasta até hoje, apesar do Governo ter retomado. O senhor acha difícil essa questão do transporte aqui no DF, pois ainda existe uma grande concentração em algumas mãos que atrapalham a licitação?
Filippelli: O problema no transporte do DF é na verdade o problema mais grave que existe. A saúde é grave, provoca mortes. Mas no transporte, cerca de 2,5 milhões de pessoas do DF usam carro, ônibus ou o metrô e sofrem algumas vezes por dia o reflexo de um sistema de transporte deficiente. Então eu digo que o DF tem 52 anos, mas tem 100 anos de atraso no transporte. Eu não culpo apenas os empresários, culpo também o Governo.
Os empresários têm recebido atenção do Governo dentro da possibilidade. Existe alguns fatos que chegam a casa da população e isso é comemorado, por exemplo, a primeira coisa que fizemos foi a busca da faixa exclusiva e a passagem do sistema Fácil para o Governo.
Aí é o ponto de partida de tudo, porque o Fácil tem um sistema eletrônico de bilhetagem, ele que nos dá o número de pessoas que viaja por dia e o trajeto que fazem. Sem isso não existe como calcular uma tarifa. Outro fato que já se reverteu da melhor forma foi às filas que se viam no Fácil, desrespeitando pais de família.
Nas plataformas de embarque no metrô você recarrega os cartões do metrô, uma mudança do nosso Governo. Os números de carros no metrô também aumentaram, ou seja, mais uma mudança do nosso Governo.
A partir de pontos de sistema de bilhetagem eletrônica e estudos iniciado em Governo anterior, mas, sobretudo encarado com determinação do Governo Agnelo, nós conseguimos montar o PDTU, Plano Diretor de Transporte Urbano, que colocamos o olho no futuro.
Apresentamos em abril na Câmara, e aprovamos uma das leis mais importante do DF, que serve pra balizar todo o sistema de transporte público de Brasília ao longo dos 20, 30 próximos anos, e não mais em função de vertente política.
Meses depois, o Governo Federal impôs como exigências para repassar dinheiro aos estados, que todos tenham o seu PDTU e nós nos antecipamos. Foi uma visão de futuro.
Ainda nessa área de transporte, fizemos oito encabeçamentos de pontes viadutos na Epia, implantamos um sistema de transporte por ônibus executivo para o aeroporto.
Começamos com dois mil passageiros transportados ao mês, quase nada, e hoje já passamos de 16 mil e todo mês aumenta mais. Iniciamos, também, a segunda maior obra do Governo, depois do Estádio, que é o VLP que liga Santa Maria e Gama a estação rodoviária interestadual.
Portanto eu acredito que todas as outras áreas, a exemplo do transporte, têm balanços fantásticos pra serem apresentados. Outra coisa muito importante é a firmeza do Governo, caso contrário já tinha desistido. 
 ceilandiaemalerta.com.br: E sobre a obra que liga a Samambaia a Ceilândia. O senhor acredita que isso também foi um marco de um novo momento vivido pelo Governo?
Filippelli: Eu falo pela própria história do senhor, que ajudou a idealizar o projeto e por anos tentou que aquela obra ficasse pronta, mas só agora foi concluída.
Aquela obra foi um pensamento que eu levei na época que eu era secretário, em 2001. Então naquela época começou o esforço. O interessante é que todo gesto da política tem que ter uma leitura.
Todas as obras que foram encontradas inacabadas estão sendo retomadas. Só existe uma obra que não foi retomada, isso por conta da justiça. Em virtude da anulação do contrato do VLT, que é uma obra que ainda vai ser retomada, só podemos retomar assim que tiver uma perícia da justiça que sirva de ponto de partida para idealização daquilo que começou a ser feito. Então, não podemos tocar enquanto não terminar a perícia judicial.
Não podemos terminar o Governo sem terminar aquela obra. Estamos fazendo um esforço muito grande pra licitar e assim nosso compromisso terminar.
ceiladiaemaleta.com.br: Dentro dessa perspectiva e retrospectiva, digamos que o senhor e governador estão fazendo um Governo para os próximos 50 anos do DF?
Filippelli: Se você analisar as obras que nós recebemos anteriormente, vai observar que estava cercado de uma fragilidade muito grande, que nos resultaram em problemas. Um exemplo a ser dado é a EPTG, ela é um pequeno trecho da Pista Oeste. Um eixo que sai da estação rodoviária de Brasília até o Sol Nascente.
Então é um grande sistema, onde a EPTG representa apenas 1/3. Ela foi inaugurada sem sinalização e sem drenagem. Só para isso tivemos que fazer novas licitações pra colocá-la pra rodar com segurança. Estamos agora idealizando a adequação de pontos, onde queremos que os ônibus que trafegam pelas suas marginais passem para a via expressa de concreto. Isso mudaria o fluxo de veículos.
Já apresentamos ao governador Agnelo e ele já aprovou essa adequação. Estamos agora, trabalhando em uma linha orçamentária pra colocar em licitação dentro dos próximos dias. É um trabalho bem simples e pequeno, mas com um resultado que marcará a história do DF. 
ceiladiaemaleta.com.br: O senhor atribui, também, esses bons resultados ao relacionamento com o Governo Federal? Principalmente por ter trabalhado com um orçamento do atual grupo político?
Filippelli: Essa identidade que temos com o Governo Federal permite que Brasília desfrute de um fato que eu falava que até hoje não tinha desfrutado. Vários estados sofrendo uma verdadeira transformação.
Já o DF ficou a quem nesse tempo, o que hoje permite que a gente possa desfrutar desse novo momento do Brasil e essa identidade que temos. Sem dúvida nenhuma fez diferença e ajudou profundamente.
ceiladiaemaleta.com.br: O senhor acredita que as relações de hoje entre os poderes daqui do DF, Legislativo e Executivo, estão bem?
Filippelli: Sim. Até porque o equilíbrio exigido para ser um vice-governador é um fato muito especial. É uma tensão muito grande. Acredito que eu tenha contribuído com o trabalho e não criado constrangimento ou dificuldade pro Governo. Eu torço para que essa convicção que eu tenha seja o real resultado do trabalho que estamos fazendo em parceria com o Agnelo. Até porque o Governo é um só e o governador é ele. Esse mesmo entendimento a gente também tem relação ao poder Legislativo. O que estrutura essa boa relação é o respeito de um poder com relação ao outro.
ceiladiaemaleta.com.br: O senhor é tido como um dos principais articuladores com os deputados distritais, e a gente sabe, é público que eles têm enorme simpatia pelo senhor. Considera isso mesmo?
Filippelli: Existem particularidades que não podemos deixar no esquecimento. Se você analisar bem, hoje o Buriti pela primeira vez na história do DF tem um governador e o vice que começaram a vida política em Brasília. A única experiência nossa foi aqui.
Começamos como deputados distritais e deputados federais. Qualquer pessoa que queira chegar ao Executivo deveria passar pela Câmara Legislativa. É uma escola. Quem poderia imaginar um dia, em uma aliança de PT e PMDB em Brasília? Eu fui líder de oposição durante o Governo Cristovam.
No entanto, uma das pessoas que eu tenho grande amizade é o Governador Cristovam. Mesmo em oposição, tivemos respeito um pelo outro. Isso é fundamental. Esse momento que vivemos em Brasília é marcado por esse fato. 
ceiladiaemaleta.com.br: Sabendo dessa trajetória, tanto do senhor quanto a do governador Agnelo Queiroz, hoje o Governo tem 14 partidos na base de coligação. O que nós estamos vendo é uma aliança de fato que está sendo construída para um futuro próximo. Como você vê essa aliança entre PMDB e PT?
Filippelli: Essa aliança tem vários momentos importantes. Em uma aliança você nunca deve parar de dar atenção a ela e de construí-la. Mas é simples, no primeiro momento, todos os grupos políticos que estavam à margem desse esforço entre PMDB e PT apostavam que eu não conseguiria conduzir o PMDB a essa aliança. Apostavam que o PT também não seria comum a essa ideia.
Nós tivemos convenções difíceis e nervosas, mas conseguimos esse grande entendimento. Com isso vieram às criticas de todo segmento de oposição a nós, dizendo que não conseguiríamos trabalhar no campo com as equipes.
Chegando a vitória, e veio outro discurso da oposição dizendo que iríamos romper uma formação no Governo. Demos demonstração que montamos um Governo sem conflitos.
Eu costumo falar que estamos vacinados. Se todo dia a gente for ceder a pequenas conspirações nós já teríamos rompido umas 22 vezes. Bobagem. Temos que ter muita calma e tranquilidade. Em nossa base o que nos respalda é a aliança entre todos os partidos.

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