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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Asger Jorn – Um Desafio à luz




Asger Jorn – Um Desafio à luz

Museu Nacional da República recebe a exposição "Asger Jorn", de 30 de novembro a 17/02/2013.

O curador da exposição Jacob Thage e também diretor do Museum Jorn, Silkeborg, Dinamarca, explica que o título da exposição, Um desafio à luz, foi extraído do prefácio de um livro de René Renne e Claude Serbanne sobre os desenhos de Jorn, publicado em 1947. Segundo Thage, os autores escreveram que os desenhos de Asger Jorn (1914-1973) tinham “um brilho sulfúrico” e que, já naquela época, haviam descoberto que suas obras não eram apenas estudos de introspecção: “Elas valiam para o mundo inteiro”.

O Museu Nacional traz a exposição Asger Jorn – Um Desafio à luz, composta de 48 desenhos/colagens e aquarelas, além de 53 gravuras, somando 101 trabalhos sobre o papel, provenientes do Museu Jorn, na Dinamarca, e três pinturas de coleções particulares. O integrante do Grupo CoBrA (1948-1951) notabilizou-se por uma produção que se estende do desenho, pintura e artes gráficas até a cerâmica, a escultura, a tapeçaria etc. “Em todas as suas obras, Jorn baseia-se em uma iconografia pessoal, um universo que trata de estética, ciências sociais, política, história, filosofia e vida privada”, afirma o curador.

A mostra traz desenhos realizados de 1937 a 1973, a partir da época em que o artista dinamarquês estudou com Fernand Léger, quando se apropriou de toda a arte que encontrava em Paris, particularmente do surrealismo, significativo para o desenvolvimento de sua obra. Segundo o curador, todos os desenhos do artista parecem absorver a paisagem circundante, mais do que suas pinturas. “Cada um dos encontros com a África do Norte, a Itália e o México pode ser decifrado na escolha de cores, especialmente nos últimos desenhos da ilha dinamarquesa Læsø, onde a luz do mar quase torna etéreos seus desenhos”.

A mostra traz também uma parte específica das obras em papel de Jorn constituída por descolagens, que ele criou arrancando lâminas dos cartazes que costumavam ser colados uns sobre os outros em colunas (maioria produzida em 1964). O papel que o acompanhava sempre na forma de cadernos de esboços, conservados como um todo ou desmembrados, também estão presentes na exposição.

Já no trabalho gráfico de Asger Jorn, um de seus laboratórios mais importantes, em parceria com impressores de arte gráficas, ele explorava as várias técnicas: linoleogravura, gravura, litografia e xilogravura, entre outras. “A gráfica tem para mim um papel importante, pelo fato de poder esgotar todas as possibilidades de expressão existentes em cada técnica – gravura, ponta-seca, água-forte, litografia, xilogravura e assim por diante –, levá-las até o limite”, declarava o artista. Segundo Thage, desde a juventude, na década de 1930, e até sua morte, Jorn fez uma exploração totalmente consciente das técnicas gráficas. “A coleção completa de obras gráficas, desde os primeiros retratos um pouco ingênuos de membros da família em cortes de linóleo, até as últimas xilogravuras, de beleza quase cintilante, produzidas por volta de 1970, apresentam uma gama cromática extremamente rica e transições fantásticas”, acrescenta. 

Completam a exposição três pinturas, suporte que qualificou a sua obra como a mais importante da Escandinávia depois de Edvard Munch. Para o curador, o instrumento mais significativo de Jorn é a imagem, seja na pintura, no desenho ou nas artes gráficas.

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