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domingo, 1 de janeiro de 2012

Associação de produtores completa 10 anos divulgando artistas do DF

A turma da empresa Artes e Ofícios no escritório: aplainando os caminhos da burocracia e do financiamento para os artistas brasilienses

Há 10 anos, quando foi fundada, a Ossos do Ofício contava com apenas três integrantes. Hoje, a associação cultural segue firme e forte com mais de 360 associados de um amplo espectro cultural. De 2005 a 2010, a instituição movimentou mais de R$ 8 milhões, aplicados em projetos culturais voltados para música, dança, artes visuais, folclore, literatura e produção audiovisual, entre outros.

O trabalho desenvolvido por artistas e produtores culturais conta com o apoio legal e o fomento da associação. “Imagine se todo artista tivesse que registrar um CNPJ para atuar no mercado? Qual não seria o volume da inadimplência e do prejuízo aos cofres públicos? Nosso intuito é a representação jurídica de quem quer entrar e permanecer no mercado cultural", explica Marta Carvalho, presidente e fundadora da Ossos. Com esse objetivo, a associação oferece cursos e oficinas de gestão coletiva e produção cultural. "Uma das nossas realizações de 2011 foi o Fórum sobre Capacitação em Mercados Criativos para a Copa 2014, que reuniu gestores do governo e do Terceiro Setor para debater as necessidades do mercado criativo e cultural às vésperas da Copa do Mundo", informa a presidente.
Marta explica que, para lidar com a burocracia e trabalhar com projetos e editais, é preciso ter uma noção das leis. "E sabe-se que nem todos têm o conhecimento legal e administrativo necessário. Então, nossa missão é facilitar os caminhos para artistas do Distrito Federal, abrindo as portas para o Brasil e para o mundo", acrescenta. Mas o papel da associação não se limita à concessão de um CNPJ e documentos para a participação em editais. "Além da questão jurídica, o trabalho maior da Ossos é de difusão da arte do Distrito Federal. Realizamos consultoria direta, ensinando cada associado a lidar com procedimentos administrativos para que eles possam ter as rédeas da própria carreira.”

O violeiro Cacai Nunes, associado há cerca de quatro anos, acredita que a Ossos do Ofício permite maior difusão do artista. "Antes de me associar, participava dos editais como pessoa física, utilizando intermediação de outras empresas culturais, mas a Ossos tem um respaldo muito maior por ser uma congregação de artistas. Devido ao número de associados, acho que ela ganha outro apelo", opina.

De Brasília para o mundo
Com o intuito de extrapolar os limites da capital, a Ossos lançou o Satélite 061, que, em 2011, chegou à sua quarta edição. "É um guia cultural que difunde, nacional e internacionalmente, a imagem de grupos locais. O resultado mais frutífero, até agora, foi com o Criolina, que apresentou mais de 20 shows em sua última turnê pela Europa", informa. A multiartista calcula que foram distribuídos mais de 25 mil exemplares do Satélite 061, inclusive na Womex, a feira internacional de negócios culturais mais importante para o universo da música.

Em 2011, a banda Satanique Samba Trio participou da I Rodada de Negócios Internacional da Música, produzida pela Ossos do Ofício em parceria com a Brasil Música & Artes e a Apex Brasil. O encontro promoveu um pitching, onde os produtores e músicos puderam apresentar seus trabalhos para um grupo de empresários de várias partes do mundo interessados em fechar negócios com a música brasileira. Durante o evento, os artistas trocaram contatos com os compradores. Ballerini, integrante do Satanique, prevê abrangência de público. "Fizemos bons contatos, com possibilidades de distribuição de nossos discos no exterior e talvez futuras apresentações na Europa e nos Estados Unidos", conta.


Próximos passos
Ainda no primeiro semestre de 2012, a Ossos do Ofício planeja  lançar dois projetos: o Satélite 061 24 horas e o Portal Literário. "O primeiro é um dos nossos principais projetos para este ano. Será semelhante à Virada Cultural que ocorre em São Paulo. Vamos ocupar espaços públicos da cidade com 24 horas de apresentações artísticas de todas as linguagens: performances, artes plásticas, teatro, música, entre outros”, explica Marta. 
Segundo Henrique Monteiro, produtor cultural e diretor da Ossos do Ofício, o Portal Literário será lançado com o intuito de dar visibilidade aos novos autores do DF. "Vamos realizar um trabalho de pesquisa para encontrar autores ainda desconhecidos, o que deve dar uma injeção de ânimo na cena literária local", prevê.


Responsabilidade cultural
De acordo com Marta, o que falta em Brasília é o reconhecimento por parte dos produtores culturais de quem efetivamente se responsabiliza pela cultura da cidade. "Hoje, os recursos são muito acessíveis, mas é preciso seriedade para lidar com essa fonte de fomento.”s Para a diretora da associação, os investidores da cultura são importantes para a carreira de quem vive de arte. "O artista tem, sim, que pagar conta, tem que se alimentar, ter onde morar. É um trabalhador como outro qualquer. O lúdico e o encantador têm preço. E é esse valor que paga a vida desses seres humanos que passam a vida criando", pontua.


Outros espaços

Além da Ossos do Ofício, a cidade conta com outras instituições de fomento e divulgação cultural. O Espaço Mosaico, fundado em 2007, busca expandir a diversidade artística brasiliense, oferecendo cursos,  projetos, além de produzir eventos culturais. O Ponto de Cultura e Economia Solidária Invenção Brasileira é um espaço de ação artística e educacional, que oferece oficinas, atendimento nas escolas, ensaios e apresentações, com o objetivo de difundir a cultura popular brasileira.
Fonte: Correio Braziliense

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