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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Projeto em Ceilândia ensina jovens a produzir curtas-metragens

A turma de jovens cineastas: Taynara, Rayane, Dayana, Alan Costa (com a câmera na mão) e Ricardo Soares

A curiosidade de conhecer os bastidores da produção de um filme levou um grupo de jovens de Ceilândia a pôr a mão na massa. Eles fazem parte de um projeto que começou em novembro, uma ação da ONG Jovens de Expressão, vinculada à Central Única de Favelas (Cufa), que trabalha todo o processo de produção de curtas-metragens.
O aprendizado começa com as primeiras noções de cinema, seguido por formulação do roteiro, cronograma de filmagens, execução e edição dos vídeos. “A gente dá a noção de todo o audiovisual, depois trabalhamos com os grupos as ideias de roteiro, mostrando a eles o que tem potencial de se tornar um filme. Os alunos fazem tudo, nós interferimos muito pouco geralmente na parte técnica", diz Alan Costa, 23 anos, instrutor do projeto.

Os instrumentos de trabalho vão muito além da câmera e do microfone. O momento de escrever o roteiro exige caneta, papel na mão e muita criatividade. “Nós fizemos uma história de ficção que se chama O mundo dá voltas. Conta como uma turma de patricinhas e mauricinhos recebe ajuda de quem menos esperam. Eles maltratam um mendigo e depois são salvos por ele”, narra a aluna Taynara Lopes, 25.

Os filmes variam entre curtas de ficção e documentários, com um tempo médio que não costuma ultrapassar os 10 minutos. Favorecidos por um ambiente que esbanja cultura street, com grafites desenhados em todas as paredes e muros, os temas geralmente estão relacionados à convivência nas ruas, nas quadras ou nas pistas de skate.

Videoclipe
Os músicos também têm a oportunidade de divulgar o trabalho. Um edital divulgado pela ONG em uma rede social selecionou duas músicas para a produção de um videoclipe. “Nossa intenção era fazer com que esses grupos musicais participassem da oficina para lançar um clipe. Vários artistas se inscreveram, mandaram as letras, nós avaliamos e escolhemos duas: Comando Periférico e Beladona”, conta Alan. Os dois vencedores cantam rap, mas, entre os inscritos, também haviam grupos de MPB e rock. “Selecionamos outros dois grupos para gravar em janeiro e fevereiro.”

O estudante Ricardo Soares, de 18 anos, participa de praticamente todas as oficinas promovidas pela Jovens de Expressão. Ele é instrutor de basquete de atletas entre 14 e 28 anos e aluno de produção audiovisual. Com uma câmera amadora, Ricardo foi o vencedor do Prêmio Hip-Hop Zumbi, com o filme Dois malucos de Ceilândia dando um rolé na capital. Um pequeno documentário de nove minutos que mostra dois amigos fazendo acrobacias com uma bola de basquete. “Eu sempre gostei dessa área audiovisual e também adoro basquete. Pude juntar as duas coisas agora em outro documentário que estou fazendo, mas com equipamento mais profissional”, destaca.

Divulgação
Depois de prontos, os curtas vão parar na internet, infelizmente, sem muita divulgação. Mas a próxima turma, que começa este mês, poderá trabalhar em conjunto com os alunos das oficinas de produção de eventos. E, como trabalho final, terão de organizar a mostra dos filmes.

A classe começou com 15 alunos, mas apenas oito frequentam atualmente. Alguns terminraram o trabalho e foram dispensados, outros arranjaram emprego e desistiram das aulas. Rayane, 19, e Dayana, 23, estão finalizando o produto. “Eu me inscrevi porque sempre tive vontade de fazer um documentário, mas nunca tive material”, diz Rayane. “Eu comecei a frequentar porque acabei de me formar em publicidade e acho que tem a ver com a minha profissão, além, claro, de ser um curso de qualidade e de graça”, afirma Dayana.

A partir do ano que vem, a expectativa é oferecer cursos de fotografia, DJ, percussão e danças de rua como break e freestyle. Em 2012, no entanto, as atividades serão transferidas para um outro espaço, um prédio ao lado das atuais instalações, mas um pouco menor. A sede da Jovens de Expressão dará lugar a uma farmácia popular. Mais informações: 3372-0957.
Fonte: Correio Braziliense

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